18 Maio, 2009

Mudança

A greve de fome acabou. Mas, estamos comendo e discutindo em outro lugar.

O e-Bistrô agora é http://ebistro.wordpress.com

17 Fevereiro, 2009

O e-Bistrô está sem muito apetite no momento.

Come back soon...

12 Janeiro, 2009

Ano novo, comida nova!

É, estamos a quase quinze dias corridos do ano de 2009. Se você estava há pouco em ritmo de festa e férias, o e-Bistrô aproveita para dar uma atualizada no que vem surgindo por aí. Se você estava, como eu, cheio de trabalho, é bom dar uma olhada para saber como descontrair depois do batente.

Empório da Villa
Recém inaugurado, o restaurante dá destaque aos vinhos e sua harmonização com a cozinha italiana. O projeto é do enófilo e consultor gastronômico Armando Mazza Neto e da artista plástica Denise Laurenti, e inclui um andar inteiro dedicado exatamente ao vinho, com uma adega climatizada que contabiliza mais de 2 mil garrafas de 300 rótulos diferentes. No cardápio, antepastos, saladas, massas, risotos e pizzas, que são o o carro chefe e vão desde as opções mais tradicionais, como a Napolitana ou Mozzarella; até as mais inventivas como a de Salmão Marinado (molho de tomate, mussarela, filetes de salmão defumado marinados em limão siciliano, azeite de ervas, cebolinha, alho poró, raspas de limão siciliano e parmesão); ou ainda duvidosas, como a Mortadela Especial (molho de tomate, mussarela, mortadela especial e queijo brie). Para quem preferir há risotos - Frutos do Mar ao Villa (mussarela de búfala tomate e pimentões) e o Cogumelos com Alcachofra - ou ainda, massas. Eventualmente, a casa realiza degustações e harmonizações abertas ao público.
Empório da Villa - R. Dr. Fonseca Brasil, 108, Morumbi. Tel: (11) 3467.4069

Esch Café
Derivan Souza criou uma carta de novos drinques para o verão. Entre as opções alcoólicas, o Sombra da Jaboticabeira leva vodka de uvas, jaboticaba, gomos de tangerina, polpa de maracujá e sirop de cassis; o Shogun, feito com vodka de uvas, kiwi, wassabi e suco de limão; e o Fraise Diable, a base de vodka de uvas, com morango, pimenta dedo de moça, suco de cranberry e açúcar. Para quem é adepto da Lei Seca, o Chocolamour tem sirop de chocolate, chocolate frio, creme de leite e calda de morango; ou o Labamba, que leva sirop de guaraná, morangos picados, abacaxi, cerejas, suco de limão e club soda.
Esch Café - Al. Lorena, 1.899, Jardins. Tel.: (11) 3062.2285
http://www.esch.com.br/


Drake's Bar & Deck
O pub, localizado no prédio do Consulado Britânico em São Paulo, acaba de ganhar cinco novos rótulos belgas para a extensa carta de cervejas, que hoje já conta com cerca de 150. A estrela é a famosa Deus, que é produzida na Bélgica e finalizada na região francesa de Champagne. Não à toa, o copinho americano dá lugar às taças, para degustá-la. A Pauwel Kwak leva o nome do mestre cervejeiro que a criou. Ele era dono da cervejaria, muito popular entre os cocheiros de sua época - final do século 18 - quando uma lei local proibiu que os cocheiros deixassem carruagens na rua enquanto tomavam sua cervejinha. Kwak, então, inventou um copo que poderia ser acoplado a carruagem, inventando uma espécie de drive-thru da cerveja. A invenção até hoje acompanha a bebida. As outras novidades são a Tripel Karmeliet, feita com grãos de trigo, aveia e cevada, sementes de coentro e cascas de laranja, além de quatro tipos de lúpulo; a Forbidden Fruit, vermelha, à base de casca seca de laranja com sugestão de coentro; e a Grand Cru, de trigo.
Drake's Bar & Deck - Rua Tucambira, 163, Pinheiros. Tel.: (11) 3812.4477
http://www.drakesbar.com/

Boteco Aroeira
A casa, que já tem uma extensa carta de caipirinhas, acaba de incluir mais duas - Frozen de abacaxi com uva verde; e mexerica com pimenta dedo-de-moça. Entre os comes, há duas novas opções de porção - a bruschetta de shitake e o antepasto de berinjela, servido com torradas e polenta frita. Além disso, o tradicional Romeu e Julieta ganhou nova versão da casa, com sorvete de queijo e calda de goiaba.
Boteco Aroeira - Rua Caraíbas, 434, Perdizes. Tel: (11) 3804.0434

Enoteca Decanter
Em 2008, a Enoteca Decanter promoveu a primeira Taste'n'buy, uma degustação de vinhos, orientada pelos profissionais da loja. O sucesso foi tanto, que em 2009, o local resolveu tornar o evento permanente, marcado sempre para a primeira terça-feira de cada mês. São cerca de 20 rótulos para degustação, acompanhados de queijos e pães, a R$ 80 por pessoa - o valor pode ser revertido em compras dos vinhos degustados.
Taste’n’buy Enoteca Decanter - R. Joaquim Floriano, 838, Itaim Bibi. Tel.: (11) 3073.0500
http://www.enotecadecanter.com.br/

*Fotos: divulgação

09 Janeiro, 2009

Maratona gastronômica

Estive no Rio de Janeiro pela primeira vez na minha vida em dezembro de 2008. Fui como convidada de um casamento, para um fim de semana - na verdade, sexta, sábado e domingo, acompanhada. Na ânsia de poder ver o que há de mais importante e bonito na cidade maravilhosa, nos lançamos numa maratona rumo ao Centro. O objetivo principal era conhecer a Confeitaria Colombo e o Bar Luiz, dois dos pontos cariocas mais tradicionais.

A primeira foi fundada em 1894, e até hoje mantém a decoração art noveau, que nos dá a sensação de estar entrando naqueles antigos salões de baile, onde imperam os longos majestosos e os fraques. E, olhando para nosso visual turista de chinelas, sentimos vergonha. O local era frequentado por ilustres como Chiquinha Gonzaga, Rui Barbosa e Getúlio Vargas. Foi por lá também que começamos, almoçando. Esquecemos o buffet e fomos direto ao cardápio, de onde escolhemos um arroz com frutos do mar. Porção que deu e sobrou para duas pessoas. Delícia!

Na ansiedade de esperar a comida baixar, fomos ao Bar Luiz, de cardápio típico alemão, em busca de cerveja. Mas, como a salada de batata de lá é o que há, resolvi achar um canto do estômago para alojá-la.

Jacob Wendling, filho de suíços, nascido na cidade de Petrópolis, foi o fundador deste local, que nasceu batizado de Zum Schlauch, que em alemão, significa mangueira - uma referência a mangueira de chope.

Mais tarde, o bar passou ao comando do afilhado de Wendling, Adolph Rumjaneck, e mudou de nome também, várias vezes - Zum Alten Jacob, Bar Adolph e, finalmente, Bar Luiz. A mudança final ocorreu graças a uma infeliz coincidência: a semelhança do nome do proprietário com o nome do ditador Adolph Hitler.

O bar quase chegou a ser apedrejado por estudantes mas, segundo a lenda, Ary Barroso, que estaria tomando uma cerveja por lá, impediu que isso acontecesse. Nesta época, o bar já era tocado pelo sócio de Adolph, Ludwig Vöit, que decidiu se naturalizar e adotar seu nome brasileiro para estampar a fachada do local.
Pois, ao que interessa: a salada de batata, a R$ 10, é muito boa e suficiente para encher a pança de uma pessoa - levem em consideração que eu adoro batatas! Um detalhe: a maionese é especial, receita própria.

A continuação de nossa maratona fez um pit stop novamente na Colombo, desta vez para a sobremesa. Brigadeiro para ele, pastel de Belém para mim, claro, já que a casa tem forte acento português. A receita, aqui, leva creme de leite, em vez de nata, e ele fica mais durinho! Caro, mas bem gostoso.

Para fechar o dia, desta vez no jantar, fomos ao Armazém Carioca, perto do hotel onde estávamos. A escolha foi um pãozinho com linguicinha mineira e queijo que era simplesmente divino. O meu também vinha com salada de batata - ok, eu avisei que adoro batatas.

Ao fim do dia, fomos então para "casa", cansados, cheios e felizes!

Ah, e que me desculpem os paulistanos ferrenhos, mas as empadas cariocas são muito maiores e mais recheadas que as nossas!!

Confeitaria Colombo - Rua Gonçalves Dias, 32, Centro. Tel.: (21) 2505.1500

Bar Luiz - Rua da Carioca, 39, Centro. Tel.: (21) 2262.6900

Armazém Carioca - Av. Nsa. Sra. de Copacabana, 31, loja B, Leme. Tel.: (21) 2275.4049

*Fotos: reprodução sites

01 Janeiro, 2009

Pickles

Quando eu era criança, costumava arrancar todos os picles do meu Big Mac. Acho que o primeiro contato da maioria de nós com esse pepininho azedo vem mesmo dos lanches do gigante do fast food americano. E, eu acho, não faria muita diferença se não os tivéssemos conhecido. Eles são feios, cheiram mal e nem tão gostosos assim. Até por isso, evitei colocar uma foto explícita.

Mas, hoje estava estava fazendo uma pesquisa a trabalho sobre o museu da DDR (Deutsche Demokratische Republik) - a Alemanha Oriental - e encontrei algumas informações sobre o modo de vida dos alemães naquele tempo. Entre outras coisas representativas estava um vidro de picles! E o costume de comer picles também aparece no filme Adeus Lênin, que é sensacional!

Não entro em detalhes sobre o filme, porque não é o caso - assistam! Mas eu sempre digo - e acho que esse é um bom exemplo - que comida não é só glamour, bons restaurantes e badalação. Comida é cultura, e pode ser um belo registro do modo de vida de determinado povo em determinada época de sua história.

Curiosa, fui pesquisar um pouco da origem do picles. Descobri, em primeiro lugar, que o termo em inglês pickles significa, na verdade, azedo, conserva. Guardar alimentos em salmoura ou vinagre é uma das maneiras mais antigas de se conservar alimentos.

O picles com pepino que nós conhecemos é, ao que parece, originário da Índia. Mas isso porque o pepino era uma das principais culturas desse país - ao lado da berinjela e da vagem. Há relatos sobre este alimento, na Índia, que datam de 1.500 a.C.. No entanto, em 1850 a.C., Aristóteles já mencionava o uso pepino em conserva como medicamento. E Cleópatra acreditava que o picles tinha capacidade de rejuvenescer e embelezar.

Verdade ou não, quem quiser testar seu poder, pode provar a receitinha abaixo. Eu a retirei de uma comunidade do Orkut da qual faço parte - Gastronomia di Anima e Cuore, que é também bastante interessante. A receita é da Adriana, dona da comunidade! Ficam as dicas!


PICLES DE VIENA
Ingredientes
1/2 Kg de pepinos grandes com casca, cortados em cubos
1/2 Kg de pepinos pequenos (cornichons) inteiros, com casca
1/2 Kg de cebolinhas pequenas
2 pimentões verdes cortados em tiras
1 pimentão vermelho cortado em tiras
1 pimentão amarelo cortado em tiras
1 couve-flor pequena, cortada em pedaços pequenos

Ingredientes do Molho
3 colheres de sopa de mostarda em pó
1 colher de sopa de açafrão em pó
1 xícara de chá de farinha de trigo
2 1/2 xícaras de chá de açúcar
1 1/2 litro de vinagre de vinho branco

Preparo
Lave os ingredientes muito bem e deixe-os de molho, durante 24hs, em uma salmoura, preparada com dois litros e meio de água e uma xícara de chá de sal. Leve tudo ao fogo até abrir fervura. Elimine a salmoura. Enquanto os ingredientes dos picles fervem, faça um molho segundo as instruções abaixo.
Molho: Misture tudo muito bem e ferva até engrossar. Despeje as verduras no molho, deixe esfriar e coloque os picles em vidros esterilizados. Guarde-os em geladeira.

*Foto: Flickr

31 Dezembro, 2008

Mão na massa

Recebi, há algum tempo, umas dicas das geléias Queensberry - eu adoro geléias! São sugestões para Natal e Ano Novo, mas como está em cima da hora e eu achei que elas servem para qualquer ocasião, resolvi publicá-las.


Espero que sirvam para ceias, jantares com amigos, ou ainda, jantares românticos! Inspire-se e, em 2009, descubra o chef que há em você!

*****
Salada Festiva
Basta juntar alface americana, azeitonas verdes recheadas e a geléia de manga com gengibre, e misturar tudo.


Petiscos
°Recheie damasco seco com cream cheese e decore com uma pitada de geléia de framboesa.

°Aqueça levemente queijo brie ou camembert) e sirva acompanhado de geléia de damasco e nozes picadas.

°Faça trouxinhas de rosbife, presas com palito, e recheie com chutney de manga.

°Misture geléias de pimenta vermelha (picante ou agridoce) a qualquer tipo de patê e sirva com torradas.

Dicas
°Misture azeite, aceto balsâmico e geléia de gengibre com limão, e sirva com salada de folhas verdes com nozes e queijo roquefort.

°Para a farofa, adicionar geléia de damasco no refogado. Depois, adicione a farinha e misture bem.

°Para o chester, dê uma pincelada de mel antes de levar ao forno e, depois sirva acompanhado de geléia de abacaxi.

°Para acompanhar cordeiro, a sugestão é acrescentar a geléia de menta e hortelã.

Panetone
Se você também não sabe o que fazer com todos aqueles panetones que se acumulam depois da época de festas, vai uma dica:

Abra uma tampa no panetone e retire parcialmente o miolo. Adicione sorvete de creme e geléia de frutas vermelhas. Depois, recoloque a tampa e congele. Sirva gelado com calda quente de chocolate.


*Fotos: Flickr

Novidade em 2009


Na verdade, a novidade ainda é de 2008, mas com a correria de fim de ano, acabei não conseguindo comentá-la por aqui. No final deste ano começou a funcionar o Dois Cozinha Contemporânea, e a convite do restaurante, fui espiar de perto.

O menu do dia era apenas de entradinhas - resultado do horário, pouco depois das 18h - mas com opções bem interessantes. Para começar, Caramelo de alho com ervas; seguido de Guacamole com Mandiopan. Sim, mandiopan! Minhas memórias de infância foram despertadas! Depois, Batata ao murro com crocante de tutano - para mim, o melhor, mas desconfiem (!), porque sou fã de batatas! E, por último, Ravioli de palmito pupunha e cogumelos, acompanhado de espuma de pupunha.

A espuma é uma herança de Ferran Adriá. Felipe Ribemboim, um dos chefs da nova casa, trabalhou com Adrià e Juan Mari Arzak, dois grandes expoentes da cozinha espanhola e da cozinha molecular. Ao lado de Felipe está Gabriel Broid, que tem formação mais clássica, voltada para a cozinha francesa. Os dois são amigos de infância.

Gabriel foi para a cozinha há oito anos. Felipe há sete. Cada um seguiu para um lado e, agora, decidiram unir as expertises - como se diria no mundo corporativo. Mas, no universo da gastronomia, a definição para a sociedade é "dois chefs, duas cabeças, uma cozinha", segundo Gabriel.

E o trabalho não é pouco. "É 3% glamour. O resto é suor", diz Gabriel que, ao lado de Felipe, acorda cedo para cuidar do almoço e vai até às 3h da manhã cuidando do jantar. Mas a porcentagem de suor compensa: "é um negócio 100% nosso!".

O caminho foi um pouco longo e, até o resultado final, eles levaram cerca de um ano e meio. Cuidaram de todos os detalhes - da escolha do local à reforma, até o detalhe final da decoração, coroada com lustres criados com exclusividade pela celebrada ceramista Kimi Nii.
Felipe (esq.) e Gabriel (dir.)

O combustível para tanta dedicação é a paixão pela gastronomia - que é arte e ciência, na definição dos chefs. Ciência recente, diga-se de passagem. "O homem primeiro foi à lua para depois descobrir a temperatura do interior do suflê", diz Felipe, que vê positivamente o uso de substâncias químicas para realçar o sabor de alguns alimentos. É o caso da lecitina de soja, usada na confecção da espuma.

Formado em arquitetura, Felipe costuma dizer que trocou de arte. "A gastronomia é a arte mais completa que há. Porque no cinema você vê, se emociona. No teatro, você vê; no livro você lê. Na gastronomia, você escuta, toca, come, sente, contempla todos os nossos sentidos", diz.

A fome de cozinhar e criar, não é maior que a de comer. "Passou de três horas sem comer, eu começo a ficar de mau humor", diz Felipe, que já foi um bebê loiro e gordinho, criado à base de gemada pela mãe.

O resultado desta fusão de cozinhas e histórias está no cardápio do Dois, em que a influência brasileira também fica explícita, em pratos como Ossobuco de Vitela com Baked Mandioquinha e manteiga de especiarias e Nhoque de Cará com Ragú de Galinha Caipira e quiabo Frito.

Cozinha feita com paixão, para comer com paixão.

Dois Cozinha Contemporânea - Rua Antonio Bicudo, 116, Pinheiros. Tel.: (11) 2533.5028.

*Fotos: Divulgação